
Quando falamos em gestão de condomínios, é comum que síndicos e conselheiros estejam mais preocupados com problemas imediatos, como inadimplência, manutenção de elevadores ou barulho. Mas o que acontece quando uma decisão equivocada do passado começa a gerar prejuízos estruturais e financeiros no presente?
esse é o caso de um condomínio onde, há mais de 20 anos, algum síndico autorizou o plantio de árvores frutíferas na laje da edificação. o tempo passou, as árvores cresceram, criaram raízes fortes, e hoje o condomínio enfrenta danos sérios de infiltração e risco estrutural.
o problema: árvores e lajes estruturais não combinam
a princípio, pode parecer uma boa ideia trazer verde para o espaço urbano. mas do ponto de vista técnico, plantar árvores — principalmente frutíferas, com raízes agressivas — em cima de lajes ou coberturas é um risco enorme.
as raízes penetram e rompem a impermeabilização, geram fissuras, provocam infiltrações e comprometem a durabilidade da estrutura.
ou seja, o que parecia uma medida estética ou de lazer se transformou em um passivo oculto que explodiu duas décadas depois.
de quem é a responsabilidade civil?
aqui entra a parte jurídica que todo síndico e conselheiro precisa conhecer:
- o síndico que autorizou o plantio não pode ser responsabilizado hoje, porque não houve dolo (intenção de causar dano) e, mesmo que houvesse negligência, o prazo prescricional para responsabilização pessoal já passou.
- a responsabilidade é do condomínio como pessoa jurídica, que responde por atos de gestão passados e deve arcar com os custos de reparo e eventuais indenizações.
em outras palavras: quem paga a conta é o condomínio, ou seja, todos os condôminos, rateados conforme a fração ideal.
o que esse caso ensina para a Gestão Condominial
Este case deixa lições valiosas:
- decisões de hoje impactam o futuro – um erro de avaliação técnica pode custar caro décadas depois.
- atenção à gestão de riscos – obras, reformas, paisagismo e alterações estruturais devem sempre passar por análise técnica especializada.
- documentação é fundamental – registrar decisões em atas, laudos e pareceres técnicos evita dúvidas e facilita a responsabilização correta.
- o condomínio responde como um todo – o síndico é representante, mas quem herda o passivo é a coletividade condominial.
como evitar que seu condomínio viva algo parecido
- sempre consulte engenheiros ou arquitetos antes de qualquer intervenção estrutural ou paisagística.
- implemente um programa de gestão de riscos condominiais, prevendo inspeções periódicas.
- eduque condôminos e conselheiros: nem toda ideia aparentemente simples é tecnicamente viável.
- invista em manutenção preventiva, porque o custo da correção emergencial é sempre maior.
conclusão
o caso das árvores na laje mostra como um erro de gestão pode atravessar décadas e estourar no orçamento atual. Síndicos, conselheiros e administradoras precisam estar atentos para que decisões sejam sempre amparadas por parecer técnico e visão de longo prazo.
se você é síndico, conselheiro ou administrador e deseja evitar armadilhas como essa, acompanhe nossos artigos sobre gestão condominial e mitigação de riscos. assine nossa newsletter e receba conteúdos práticos e casos reais que ajudam a proteger seu patrimônio e a valorizar seu condomínio.